A nova gestão da área de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação de Pelotas começa sob a expectativa de destravar pautas que impactam diretamente a economia da cidade. Entre os temas mais urgentes estão a ocupação de espaços no mercado público, o apoio aos pequenos empreendedores e a organização de uma política de inovação com efeitos concretos no município. Em entrevista ao Edição da Manhã, da RádioCom Pelotas, nesta sexta-feira, 13 de março, o novo secretário de Desenvolvimento, Empreendedorismo e Inovação, Jeferson Sigales, detalhou os primeiros desafios da gestão e apontou as medidas que pretende priorizar à frente da pasta. Mercado público concentra a primeira grande missão Entre as ações mais imediatas da secretaria está a situação do mercado público. Sigales afirmou que o espaço reúne hoje mais de 20 bancas desocupadas e depende da conclusão de ajustes em edital para que novas ocupações possam ser encaminhadas. “A primeira grande missão é o mercado público”, declarou. Segundo ele, a estimativa é de que essa definição avance nas próximas semanas, abrindo caminho para uma nova etapa de organização do espaço. O secretário defendeu que o mercado precisa ser tratado para além da lógica comercial. “O mercado não é só as lojas, ele é um símbolo da cidade”, afirmou. Na avaliação dele, o equipamento deve funcionar como vitrine de Pelotas e se reconectar com a comunidade, mas isso passa por resolver pendências burocráticas, revisar contratos e ampliar as possibilidades de atividades permitidas no local. Pequenos empreendedores devem receber atenção prioritária Sigales também indicou que um dos principais focos da nova gestão será o fortalecimento dos pequenos negócios. De acordo com ele, Pelotas tem mais de 22 mil MEIs, o que exige uma política pública mais próxima desse segmento. “O grande foco é o empreendedor, principalmente o pequeno empreendedor, que é o nosso maior quantitativo”, disse. A intenção é concentrar esforços iniciais em ações capazes de apoiar esse público na manutenção e no crescimento das atividades. Uma das propostas em construção é a criação de parcerias com instituições de ensino para aproximar estudantes em estágio obrigatório dos micro e pequenos empreendedores. A ideia é usar o conhecimento técnico disponível em cursos de graduação e formação profissional para oferecer suporte a negócios locais, especialmente em áreas nas quais muitos empreendedores têm dificuldade de acesso a orientação especializada. Ao responder sobre a dificuldade de permanência de muitos MEIs no mercado, o secretário classificou essa aproximação como decisiva. Para ele, o apoio externo e técnico pode aumentar a longevidade dos empreendimentos e contribuir para que a política de desenvolvimento vá além da simples abertura de novos CNPJs. Sebrae e Cidade Empreendedora entram no planejamento A secretaria também pretende retomar a articulação com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), especialmente por meio do programa Cidade Empreendedora. Segundo Sigales, a iniciativa já havia sido adotada por Pelotas, mas perdeu continuidade após o encerramento do contrato anterior. Agora, a expectativa é reconstruir essa parceria como forma de dar mais consistência à política de apoio aos empreendedores locais. Na entrevista, ele ressaltou que o programa não deve ser entendido apenas como ferramenta de incentivo à formalização. “O objetivo não é a abertura de novas MEIs, de novos CNPJs, mas a manutenção e potencializar o desenvolvimento”, afirmou. A proposta, segundo ele, é qualificar também a própria gestão pública para criar um ambiente mais favorável ao crescimento dos pequenos negócios. Lei de inovação ainda precisa sair do papel Na área da inovação, o principal desafio apontado pelo novo secretário é transformar a legislação aprovada no ano passado em uma política efetiva. Embora a lei municipal de inovação já exista, ela ainda depende de regulamentação e da reorganização de estruturas internas para começar a operar. “Nós temos uma lei aprovada. Nós precisamos fazer com que ela seja implementada”, disse. Esse processo inclui a recomposição de conselho, a eleição de presidência e a formação do comitê gestor do fundo de inovação. É esse fundo que deverá permitir a captação de recursos públicos e privados para financiar projetos locais. Sigales argumentou que esse mecanismo será essencial para fazer com que o conhecimento produzido na cidade seja convertido em desenvolvimento concreto e em oportunidades dentro do próprio município. Ao comentar o tema, o secretário também procurou ampliar o entendimento sobre o conceito de inovação. “A inovação só é verdadeira quando ela impacta na vida das pessoas”, afirmou. Para ele, Pelotas já produz conhecimento e ciência, mas ainda precisa avançar na capacidade de aplicar esse potencial localmente, evitando que pesquisas e talentos acabem sendo aproveitados em outras regiões. Parque Tecnológico aparece como peça estratégica A aproximação com o Parque Tecnológico de Pelotas também está no radar da nova gestão. Sigales, que já atuou na estrutura do parque, afirmou que a intenção é fortalecer essa conexão assim que a secretaria conseguir avançar na composição da diretoria de inovação. Segundo ele, o equipamento pode ter um papel importante na articulação entre instituições, pesquisa e desenvolvimento local. Na avaliação do secretário, o parque tem uma configuração diferenciada em relação a outras experiências, por reunir várias instituições em uma estrutura coletiva. Isso amplia seu potencial, mas também torna sua organização mais complexa. “O parque tecnológico é um equipamento extremamente importante, mas estratégico para o desenvolvimento da inovação em Pelotas”, declarou. Estrutura reduzida e metas para o primeiro ano Ao falar sobre a situação interna da pasta, Sigales reconheceu que a secretaria ainda opera com estrutura reduzida e com pouco recurso. Segundo ele, isso limita o avanço simultâneo das áreas de desenvolvimento, empreendedorismo e inovação. “Hoje a secretaria está com pouca estrutura”, resumiu. A proposta da gestão é reorganizar esse desenho, com chefia de gabinete, direção executiva e três diretorias específicas para cada eixo da secretaria. Para o primeiro ano de gestão, ele definiu como metas principais fazer o mercado público “funcionar a pleno vapor”, implementar a lei de inovação e manter um diálogo permanente com os empreendedores. Também defendeu que a secretaria precisa consolidar uma estrutura mais técnica e duradoura, capaz de seguir oferecendo suporte ao desenvolvimento