
Figurando entre as cidades com maior produto interno bruto (PIB) do Rio Grande do Sul, ao lado de Rio Grande, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2021, Pelotas tem aproximadamente 12,25% do PIB representado pelo segmento industrial. Atualmente, cerca de 40 empreendimentos integram esse percentual, empregando 7.834 pessoas no setor, segundo o presidente do Centro das Indústrias de Pelotas (Cipel), Vittorio Ardizzone.
Para Ardizzone, a indústria exerce papel estratégico não apenas para a economia local, mas para toda a Zona Sul do Estado. “Além de gerar empregos diretos e indiretos, movimenta toda uma cadeia econômica que envolve comércio, serviços, logística e construção civil. O setor industrial contribui significativamente para a arrecadação dos municípios e para a manutenção da atividade econômica regional, sendo fundamental para o desenvolvimento e para a atração de investimentos”, destaca.
Nesse contexto, o fortalecimento da política de desenvolvimento econômico de Pelotas vem ganhando espaço nas discussões entre o setor produtivo e o poder público. Em reunião promovida no início do mês de maio pelo Cipel, o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Jeferson Sigales, apresentou aos industriais o projeto da Prefeitura para implantação de um Parque Industrial Público e de um Parque Industrial Logístico, voltados à atração de investimentos, ampliação da competitividade regional e geração de empregos qualificados. As estruturas estão em fase de estudos e poderão ser implantadas nas regiões da Sanga Funda e da BR-392, nas proximidades da Fenadoce.
Segundo os responsáveis, a proposta busca criar um ambiente favorável à instalação de indústrias, centros logísticos e novos empreendimentos, contribuindo para a permanência de talentos na cidade e para o aumento da geração de riqueza local.
Apesar do cenário de expansão e planejamento, o presidente do Cipel alerta que as atuais tensões comerciais internacionais e os chamados “tarifaços” globais já geram reflexos diretos sobre a indústria da região, principalmente pelo aumento dos custos de produção, da importação de insumos e pela insegurança econômica que dificulta o planejamento das empresas. Os setores mais dependentes de matéria-prima importada ou de relações comerciais externas são os que sentem os impactos de forma mais intensa.
Ardizzone afirma ainda que os conflitos no Oriente Médio ampliam a preocupação do setor, especialmente pelos efeitos sobre combustíveis e logística, encarecendo o transporte e afetando praticamente toda a cadeia produtiva, com maior percepção nos segmentos de alimentos, construção civil, logística e exportação.
“Existe cautela por parte do setor produtivo. O ambiente econômico atual exige planejamento mais conservador, principalmente diante da instabilidade internacional, dos juros elevados e da insegurança no ambiente de negócios. Ainda assim, a indústria regional segue buscando alternativas para manter investimentos e preservar empregos”, observa.
Profissionalização e permanência da indústria
Com os avanços tecnológicos registrados nos últimos anos, a profissionalização tornou-se fator decisivo para a competitividade da indústria nacional e regional. Conforme relata Ardizzone, as empresas buscam cada vez mais trabalhadores capacitados para lidar com novas tecnologias, processos automatizados e demandas técnicas específicas, exigindo atualização constante da mão de obra.
Nesse cenário, o fortalecimento da educação técnica e profissionalizante é apontado como essencial para preparar jovens e trabalhadores para as transformações do mercado, aproximando a formação educacional das necessidades reais da indústria e ampliando as oportunidades de emprego e crescimento econômico na região.
“Junto à nossa sede, está o Parque do Sesi, onde há uma formação de excelência de mão de obra através dos cursos técnicos do Senai e, também, a formação da base, com o despertar do lado empreendedor de jovens que estão cursando o ensino médio”, exemplifica.
Atualmente, a Escola Sesi conta com cerca de 350 alunos matriculados no Ensino Médio em Pelotas, além de 770 estudantes na modalidade EJA em Pelotas e 250 em Rio Grande. Já o Senai atende aproximadamente 450 alunos em Pelotas e 550 em Rio Grande, dentro de um portfólio de cerca de 5 mil modalidades de cursos oferecidos pelo sistema, sendo ao menos 15 disponíveis na região.
Fonte: Jornal Tradição